Jornalismo comunitário

Ontem, conversei com uma amiga sobre seu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Ela disse que pretendia abordar o tema Jornalismo Comunitário e analisar veículos de comunicação presentes em comunidades do Rio de Janeiro. Achei muito interessante, gosto muito do assunto e já escrevi algumas matérias sobre isso no Nós da Comunicação. Só no estado fluminense temos diversas iniciativas.

Uma delas é o jornal ‘Voz da Comunidade’, criado há seis anos por Rene Silva, morador do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão. (Veja entrevista com Edney Silvestre). Com tiragem mensal de cinco mil exemplares distribuídos por toda a comunidade, o jornal também oferece espaço para anunciantes.

Editor-chefe do jornal, Rene, hoje com 17 anos, escreve sobre o dia a dia do local, denuncia a prestação precária de serviços públicos, inclusive ligando para empresas como a Light, quando um poste fica sem luz, por exemplo. Além disso, o estudante divulga novos estabelecimentos, integrando e informando moradores sobre os acontecimentos da região.

Ano passado, ele virou correspondente ao tuitar em tempo real a invasão da polícia e exército no complexo do Alemão. Atualmente, @Rene_Silva_RJ possui mais de 19 mil seguidores no Twitter. Este ano, no microblog, ele mobilizou seguidores para realizar a PAZcoa, uma páscoa mais feliz para as crianças da comunidade. De acordo com post que li no site do AfroReggae, o evento foi um sucesso e contou com o apoio da Globo Rio e de artistas como Cléo Pires e a cantora Preta Gil. Em 2011, Rene foi um dos homenageados no prêmio ‘Faz diferença’, criado pelo jornal ‘O Globo’.

Outro exemplo é a rádio Madame Satã, criada em 1999, e que conheci durante a 9ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, realizada ano passado. O veículo surgiu a partir de um projeto da ONG Excola com crianças e adolescentes moradores de rua no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. O objetivo deles é democratizar a comunicação oferecendo acesso livre às ferramentas de produção de informação, como defendem em seu site. Outra é a ‘Agência de Notícias das Favelas‘, que visa divulgar notícias de comunidades para outros bairros da cidade e estimular a integração e troca de informações entre favelas.

Por fim, vale citar também o RadioTube, voltado para questões sociais e relançado em 2010. Mais do que uma rede social, o site é um espaço para a publicação de conteúdos que podem ser reutilizados por rádios comunitárias de todo o Brasil.



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