Padaria, que padaria?

Hoje à tarde, uma notícia chamou minha atenção, não pelo fato em si, mas como foi divulgada pelo G1, R7, O Dia e Jornal do Brasil. Duas padarias, localizadas em Ipanema, Rio de Janeiro, foram multadas por fiscais da Vigilância Sanitária. Em ambos os estabelecimentos foram encontrados alimentos fora do prazo de validade. Em um deles, cerca de 100 kg de alimentos sem data de fabricação ou validade foram inutilizados. Imagina quantos outros quilos não foram vendidos até ontem? Segundo as matérias, as duas padarias foram multadas. O curioso é que dos quatro veículos, apenas o Jornal do Brasil e O Dia mencionaram o nome de um dos locais.

Por que os outros dois portais não divulgaram essa informação? No G1, essa mesma pergunta foi feita por 17 leitores no espaço para comentários. A maioria indignada pela ausência da principal informação da matéria. Alguns, como de costume, publicaram comentários agressivos, outros nem tanto. Uma leitora chegou a publicar os nomes em, pelo menos, dois posts de comentários. Entretanto, quem garante que o que ela disse é verdade? Qual sua fonte?

Já não é a primeira vez que vejo isso na imprensa. Há alguns meses, foram encontradas irregularidades  na pizzaria de um supermercado, no Leblon, também na Zona Sul do Rio de Janeiro. A reportagem se limitava a dizer apenas o bairro e a rua do estabelecimento. Com tanta competição no mercado de notícias, será que é pedir muito por uma reportagem mais completa?


Trabalho Interno

Somente essa semana tive a oportunidade de assistir ao documentário ‘Trabalho Interno’ (Inside Job), sobre as causas da crise financeira que abalou o mundo em 2008. De forma objetiva e, muitas vezes, didática, o filme explica a trajetória do colapso. Aborda entre outros assuntos, a questão das hipotecas e a política de bônus excessivos que os executivos recebiam. Apesar de ter sido há três anos, suas origens remetem ao governo Reagan e ao começo da desregulamentação do mercado financeiro.

Foram entrevistados diversos especialistas, políticos envolvidos, professores de Harvard e economistas que passaram pelo furacão econômico que levou milhares de americanos e pessoas em todo o mundo à falência. Até Dominique Strauss-Kahn, então diretor do Fundo Monetário Internacional – ele assumiu o posto em 2007 – aparece comentando o caso.

Vencedor do Oscar desse ano, o filme é narrado pelo ator Matt Damon e expõe um cenário caótico que evoluiu ao longo dos mandatos de Bill Clinton, nos anos 1990, passando pela administração Bush até o atual governo. Obama também é criticado, pois durante a última campanha para presidente, o então candidato defendia justamente uma mudança nos rumos que os Estados Unidos estavam tomando. E pelo que foi mostrado, não foi bem isso que aconteceu.

Além do Oscar, o filme, dirigido por Charles Fergunson , ganhou outros prêmios como o Directors Guild of America, para direção em documentário, e o Writers Guild of America, por roteiro para documentário. Gostei muito do roteiro e da montagem. Eles apresentaram muito bem toda a questão. Em plena crise atual que Barack Obama está passando, acho que foi um tanto oportuno alugar o filme. Fica a dica para quem quiser conhecer mais sobre essa crise que muitos compararam até com a recessão de 1930.

 


Jornalismo comunitário

Ontem, conversei com uma amiga sobre seu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Ela disse que pretendia abordar o tema Jornalismo Comunitário e analisar veículos de comunicação presentes em comunidades do Rio de Janeiro. Achei muito interessante, gosto muito do assunto e já escrevi algumas matérias sobre isso no Nós da Comunicação. Só no estado fluminense temos diversas iniciativas.

Uma delas é o jornal ‘Voz da Comunidade’, criado há seis anos por Rene Silva, morador do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão. (Veja entrevista com Edney Silvestre). Com tiragem mensal de cinco mil exemplares distribuídos por toda a comunidade, o jornal também oferece espaço para anunciantes.

Editor-chefe do jornal, Rene, hoje com 17 anos, escreve sobre o dia a dia do local, denuncia a prestação precária de serviços públicos, inclusive ligando para empresas como a Light, quando um poste fica sem luz, por exemplo. Além disso, o estudante divulga novos estabelecimentos, integrando e informando moradores sobre os acontecimentos da região.

Ano passado, ele virou correspondente ao tuitar em tempo real a invasão da polícia e exército no complexo do Alemão. Atualmente, @Rene_Silva_RJ possui mais de 19 mil seguidores no Twitter. Este ano, no microblog, ele mobilizou seguidores para realizar a PAZcoa, uma páscoa mais feliz para as crianças da comunidade. De acordo com post que li no site do AfroReggae, o evento foi um sucesso e contou com o apoio da Globo Rio e de artistas como Cléo Pires e a cantora Preta Gil. Em 2011, Rene foi um dos homenageados no prêmio ‘Faz diferença’, criado pelo jornal ‘O Globo’.

Outro exemplo é a rádio Madame Satã, criada em 1999, e que conheci durante a 9ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, realizada ano passado. O veículo surgiu a partir de um projeto da ONG Excola com crianças e adolescentes moradores de rua no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. O objetivo deles é democratizar a comunicação oferecendo acesso livre às ferramentas de produção de informação, como defendem em seu site. Outra é a ‘Agência de Notícias das Favelas‘, que visa divulgar notícias de comunidades para outros bairros da cidade e estimular a integração e troca de informações entre favelas.

Por fim, vale citar também o RadioTube, voltado para questões sociais e relançado em 2010. Mais do que uma rede social, o site é um espaço para a publicação de conteúdos que podem ser reutilizados por rádios comunitárias de todo o Brasil.


Cilada.com

Na semana passada, estreou ‘Cilada.com’, comédia protagonizada e escrita por Bruno Mazzeo. Com direção de José Alvarenga Jr. (Os Normais e Divã), o filme levou mais de 441 mil espectadores aos cinemas e faturou R$4.9 milhões, segundo números do site Filme B. Ainda não vi o filme, por isso não posso dizer se é bom ou ruim. Pretendo assistir na semana que vem. A série era muito divertida, com situações hilárias vividas pelo personagem de Mazzeo. Tomara que o longa-metragem seja tão bom quanto.

Pelo sucesso nesse primeiro final de semana, é possível que a produção trilhe um caminho tão bom quanto o longa ‘Qualquer gato vira-lata’ que também estreou este ano e, nos últimos dias, ultrapassou a marca de milhão de espectadores, mesmo recebendo críticas negativas em sua estreia. Até agora, de acordo com uma nota publicada no site SRZD, o filme estrelado por Cléo Pires e Malvino Salvador arrecadou R$ 9,5 milhões.

Acho ótimo esse resultado, até porque gosto não se discute. Quanto mais gente indo aos cinemas melhor, cada um que tire suas próprias conclusões. Vi algumas pessoas falando mal de ‘Todo mundo tem problemas sexuais’, dirigido por Domingos Oliveira e baseado em sua peça homônima. Ele pegou o que tinha de melhor no espetáculo e levou para a tela grande. O filme é uma “divertida bobagem” como escutei um espectador comentando ao final da sessão. Uma bobagem que deu muito certo nos palcos. E o Pedro Cardoso está ótimo nos vários papeis que interpreta. Agora, se você não vai com a cara do ator, é melhor nem arriscar, porque o filme é quase todo dele.


Um filme coerente sobre um homem bom

Com menos de um mês em cartaz, esta produção dirigida por Daniel Filho, já conseguiu levar mais de 2,5 milhões de pessoas aos cinemas. Só mesmo Alice no País das Maravilhas, considerado um dos filmes mais aguardados do ano, para sacudir o coreto da bilheteria e tirá-lo do topo. Mesmo assim Chico Xavier deve manter-se no Top 10 por mais um bom tempo. Assim esperamos todos.

Não é para menos. Desde a direção e fotografia até elenco e pós-produção, todo o trabalho foi muito bem feito. O filme concilia drama e humor. A cena da turbulência em que Chico discute com o espírito Emmanuel é hilária.

E as escolhas de casting? Não poderiam ser outras. Giulia Gam está ótima como a megera que maltrata o pequeno Franscisco. Assim como Letícia Sabatella, Tony Ramos, Ângelo Antônio e Matheus Costa. Os dois últimos também interpretaram Chico Xavier. Já Nelson Xavier, que faz o papel de Chico na fase adulta, deu tão certo que o ator deve interpretá-lo novamente em outro filme.

Apesar da temática espírita, Chico Xavier não fica batendo na tecla do Espiritismo o tempo todo. Muito pelo contrário. O filme está acima de questões religiosas. Durante duas horas, acompanhamos a trajetória deste homem considerado santo e fenômeno. Ele até pode ser isso tudo, mas antes, Chico Xavier era uma pessoa do bem. Saí da sessão, lembrando de um texto que apareceu antes do filme, que dizia algo mais ou menos assim: um filme não tem como apresentar a vida inteira de uma pessoa, mas este se propõe a apresentar sua essência. E isso eles fizeram muito bem. Apresentaram a natureza de um homem bom de forma muito coerente.


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